Brasília - DF
16 de agosto de 2017
Divulgação

A Massa Branca

Estamos vivendo em um momento histórico. Nós das décadas de 80 e 90, que tanto desejamos vivenciar um momento de levante popular que aprendíamos da história, temos essa oportunidade hoje.

Porém, como em todo momento histórico, o fato histórico é feito pelas forças que dominam o cenário. Quais são elas, e o que querem, é o que definem o desfecho.

De fato não podemos prever o futuro, mas sim construí-lo.

A história é polarizada. O movimento sempre ocorre,em nossa realidade comum, entre opostos e complementares. Num determinado momento um valor pertence a um polo e seu oposto ou complementar a outro; em outo momento grupos de valores são intercambiados entre os polos. Essa relação é quase sempre equilibrada.

Há que entender a relação entre pares opositores e pares complementares. Porém, o equilíbrio entre os polos é constante? De nenhuma forma na história observamos equilíbrio entre polos de qualquer esfera, sempre havendo a predominância de um que só é transferido a outro polo pelo conflito.

Usando o cenário de hoje para entendermos: a grande massa indignada que sai às ruas não está localizada em um polo, ela é sem opinião e sem posição. A  princípio se manifesta legitimamente ante as injustiças sociais, dentro de um discurso já plantado e desenvolvido pelas esquerdas. Cabe aqui estabelecer que o conceito de direita e esquerda nasce em sua forma moderna lá na Revolução Francesa, e desde então tudo que vem a ser de interesse coletivo e que garanta igualdade aos seres humanos entre si, é de esquerda, e tudo que é de interesse de um grupo hegemonizador e queira garantir liberdade de ação e disputa “natural” pela sobrevivência, é a direita.

Vamos colorir para desenhar: a esquerda é identificada pelo vermelho e a direita pelo azul. Eis os dois polos da política no mundo. O que disputam? Disputam a grande massa branca no centro. Essa massa sem cor é que definirá então a hegemonia de qual polo prevalecerá.

Hoje, em Junho de 2013, o que vemos das manifestações populares é uma luta entre as esquerdas e a direita unificada pela grande massa branca que é o movimento espontâneo e popular. Essa massa rompe o silêncio inspirada na cultura de debate e reivindicações de prática da esquerda, porém a direita inteligentemente conseguiu de certa forma sequestrar o motor das motivações populares, ocultando sua presença e usando uma tática incrivelmente ninja, a da invisibilidade, fazendo uma campanha contra partidos e organizações, enquanto ela mesma, a direita, é um partido.

Quem vencerá? Quais as apostas? Particularmente acredito que o vermelho dominará o mundo, dentro de uma visão co-determinista da história. Pois que toda mecânica dos manifestos populares são construídas e executadas dentro do debate político e científica já estabelecido pelas esquerdas. A direita hoje é um remanescente unido de uma tradição de dominação de uma classe única sobre a grande massa produtora. É um fio envenenado que assiste seu fim suavemente agonizante enquanto é rompido pelo grande mar vermelho que é a consciência revolucionária.

 

Claudio Siqueira

Socio-Gerente da Empresa Café Cafuzo
Designer gráfico da Empresa H2Foz

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