Brasília - DF
16 de agosto de 2017
Karen Scholz/Colaboração Paraná Portal

Protestos contra a reforma no ensino médio crescem no Paraná

Estudantes e professores se reuniram em manifestação na manhã desta quarta-feira (4) em frente à Universidade Federal do Paraná (UFPR), na Praça Santos Andrade, em Curitiba, e fizeram uma passeata pela região central para protestar contra a Medida Provisória 746/2016, do governo federal, que altera regras curriculares e de funcionamento do ensino médio. Entre as medidas, há pontos polêmicos, como o fim da obrigatoriedade de disciplinas como artes, filosofia e educação física.

O ato em Curitiba foi organizado por meio do Facebook. Por volta das 11h30, uma passeata saiu da Praça Santos Andrade, passando pela Avenida Marechal Deodoro da Fonseca, e concentrando estudantes e professores na Boca Maldita. Após o meio-dia, um grupo apenas de estudantes seguiu em direção ao Palácio Iguaçu, sede do governo estadual, no Centro Cívico.

O protesto começou às 9h e ainda há movimentação na região central. Segundo os organizadores, 2 mil pessoas participaram da passeata.

“Não aceitamos o método autoritário utilizado pelo governo e não concordamos com o conteúdo do projeto encaminhado ao Congresso Nacional em regime de urgência, com a clara intenção de impedir que seja discutido democraticamente”, diz a descrição do evento, organizado pela União Paranaense dos Estudantes Secundaristas (UPES).

Os estudantes também criticam a mudança dos turnos para o período integral “se persistem problemas básicos como a falta de infraestrutura, projetos arquitetônicos anacrônicos [ainda centrados na lousa, giz e apagador], jornada de trabalho estafante e mal estruturada [pois é preciso que sejam dedicados no mínimo 33% da jornada para atividades extraclasse], falta de condições de trabalho, carreira e salários dignos aos profissionais da educação e tantos outros”.

Nas proximidades do Colégio Estadual do Paraná, região central de Curitiba, também houve manifestação dos estudantes, que bloquearam as ruas, e depois se uniram a estudantes de outras escolas da capital e região metropolitana.

Em São José dos Pinhais, cinco escolas estão ocupadas até o momento. Cerca de 60 colégios estaduais programaram manifestações nesta semana. De acordo com o presidente da UPES, Matheus dos Santos, os alunos aguardam o posicionamento do governo do Paraná.

“A medida tira uma série de matérias e só vai piorar o ensino médio. A galera está se mobilizando. Estamos entrando em contato com a Secretaria Estadual de Educação para saber se vai ter adesão aqui e, se tiver, as mobilizações vão ficar mais enérgicas”, afirmou.

Negociações com a Secretaria de Educação

De acordo com a Secretaria de Educação, até o momento, os estudantes que participam das ocupações não aceitaram dialogar com a pasta e mais tentativas serão feitas nos próximos dias. Se um canal de comunicação não for estabelecido, o governo do estado já confirma que vai pedir reintegração de posse na Justiça.

A secretária da Educação, Ana Seres, afirmou que respeita a manifestação dos estudantes, mas espera conversar com eles sobre algumas propostas que estão em discussão. As declarações foram feitas após uma tentativa da equipe da secretaria de negociar com estudantes que ocuparam o Colégio Padre Arnaldo Jansen, em São José dos Pinhais. “Todos têm direito a manifestações, e hoje pela manhã nossa equipe esteve no colégio. Nossa equipe tentou dialogar, esclarecer a proposta, o que vai ser feito no Paraná, mesmo antes dos seminários”, conta, referindo-se aos debates que serão promovidos pela secretaria na próxima semana.

“Os jovens não quiseram ouvir a nossa equipe. Eles são radicalmente contra, mas vejo que é melhor conversar”, afirma. Segundo Ana Seres, a secretaria pretende aderir ao edital para a implantação de escolas em período integral, mas não vê condições de implantar em todas as escolas as ênfases propostas pela Medida Provisória do governo federal.

Professores

Uma coletiva de imprensa foi convocada para às 14h pelo sindicato que representa os professores do Paraná. A categoria deve debater o assunto da reforma, além de questões relacionadas às pautas trabalhistas. O governo do Paraná encaminhou proposta à Assembleia Legislativa suspendendo reajuste previsto para 2017. A promessa havia acabado com a greve dos professores no ano passado. Agora, servidores do Estado organizam nova greve para exigir o cumprimento da promessa.

Fonte:
http://paranaportal.uol.com.br/
Mariana Ohede, Narley Resende e Fernando Garcel
Fotos: Karen Scholz/Colaboração Paraná Portal

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