Direitos Animais: A Abordagem Abolicionista – 2

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Como podemos justificar essa matança?

Não podemos justificar essa matança baseados na ideia de que precisamos comer produtos animais por questões de saúde. Não há dúvida de que não precisamos.

Na realidade, a evidência mostra, cada vez mais, que os produtos animais fazem mal à saúde humana.

Não podemos justificar essa matança baseados na ideia de que ela é “natural” porque os humanos comem animais há milênios. O fato de estarmos fazendo uma coisa há muito tempo não quer dizer que essa coisa seja moralmente boa.

Os humanos foram racistas e machistas durante muitos séculos, e agora reconhecem que o racismo e o machismo são imorais.

Não podemos justificar essa matança como necessária para a ecologia global. Há um crescente consenso quanto  ao fato de que a criação de animais para comida é um desastre ambiental.

• Segundo a FAO, a criação de animais para comida é responsável por mais emissão de gases do efeito estufa do que o uso de gasolina em carros, caminhões e outros veículos.

• A pecuária utiliza 30% de todo o solo do planeta, incluindo 33% das terras cultiváveis, usadas para produzir comida para os animais explorados nessa atividade.

• A criação de animais para comida está resultando na devastação das florestas para criar novas pastagens e numa grave e extensa degradação do solo, que sofre compressão devido ao pastoreio excessivo, além de erosão.

• A criação de animais para comida é uma das principais ameaças aos recursos hídricos mundiais, cada vez mais escassos.  É preciso um imenso volume de água para produzir alimento para esses animais. O pastoreio excessivo em várias partes do planeta atrapalha os ciclos da água. A criação de animais para comida contribui significativamente para a contaminação aquática.

• Os animais consomem mais proteína do que produzem. Para cada quilo de proteína animal produzida, os animais consomem, em média, quase 6 quilos de proteína proveniente de grãos e forragem.

• São necessários mais de 100.000 litros de água para produzir 1 quilo de carne e aproximadamente 900 litros para produzir 1 quilo de trigo.

Como os animais consomem muito mais proteína do que produzem, os grãos que deveriam servir de alimento aos humanos são dados de comer aos animais.

Assim, a criação de animais para comida, junto com outros fatores, condena muitos seres humanos a passarem fome.

A única justificativa que temos para causar sofrimento e morte a 53 bilhões de animais por ano é que comê-los nos dá prazer, é conveniente para nós e é um hábito.

Em outras palavras, não temos nenhuma boa justificativa. Nosso modo de pensar sobre os animais não humanos é muito confuso. Muitos de nós vivem, ou já viveram, com companheiros animais como cães, gatos, coelhos, etc.

Nós amamos esses animais. Eles são membros importantes das nossas famílias. Quando eles morrem, sofremos.

Mas enfiamos garfos em outros animais que não são diferentes daqueles que amamos. Isso não faz o menor sentido.

Como tratamos os animais

Além de usarmos os animais para todo tipo de finalidade que não pode ser considerada “necessária”, nós também lhes damos um tratamento que, se fosse dado a seres humanos, seria considerado tortura.

Há leis de bem-estar animal exigindo que tratemos os animais “humanitariamente”. Mas essas leis geralmente não fazem sentido, porque os animais são propriedade.

Os animais são mercadorias: seu único valor é aquele que nós lhes damos. No que concerne à lei, animais são como carros, móveis ou qualquer outra propriedade nossa.

Como os animais são propriedade, nós geralmente permitimos que as pessoas os usem para a finalidade que quiserem e lhes causem um sofrimento terrível durante o processo.

Por que não obter leis e padrões industriais melhores?

A maioria das organizações de proteção animal afirma que a solução para o problema da exploração desses seres é melhorar as leis de bem-estar animal, ou fazer pressão para a indústria melhorar os padrões de tratamento. Essas
organizações fazem campanhas por métodos de abate mais “humanitários”, sistemas de confinamento mais “humanitários” como jaulas maiores, etc. Algumas delas afirmam que melhorar o tratamento dos animais faz com que o uso de animais seja totalmente eliminado no futuro, ou, pelo menos, seja significativamente reduzido.

Mas será que a solução é essa, mesmo? Não, não é.

A realidade econômica é tal que as reformas bemestaristas oferecem poucas melhoras, se é que oferecem alguma. Por exemplo, o abate “humanitário” de aves com gás envolve tanto sofrimento quanto o abate de aves com choque elétrico.

Caracterizar a exploração dos animais como uma atividade que está ficando mais “humanitária” faz o público se sentir mais à vontade quanto ao uso de animais, o que o incentiva a continuar consumindo produtos animais e pode até aumentar o saldo de sofrimento e mortes.

Além disso, não há absolutamente nenhuma prova de que as reformas bem-estaristas levem ao fim do uso de animais ou a uma redução significativa do seu uso. Os padrões e as leis de bem-estar já existem há mais de 200 anos e nós estamos explorando mais animais, e em condições ainda mais horríveis, do que em qualquer época da história humana.

E o mais importante de tudo é que reformar a exploração ignora a questão fundamental: como podemos justificar o uso de animais como nossos recursos – por mais “humanitariamente” que os tratemos?

Qual a solução?

A solução é abolir a exploração dos animais, em vez de regulá-la. A solução é reconhecer que, assim como reconhecemos que todo ser humano, independentemente de suas características particulares, tem o direito fundamental de não ser tratado como propriedade alheia, todo não humano senciente (perceptivamente consciente) também tem esse direito.

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