Exposição ‘O Tempo dos Sonhos’ traz arte tradicional aborígene para a Caixa Cultural

Mostra reúne 52 obras, incluindo esculturas, gravuras, bark-paintings e as famosas 'pinturas luminosas do deserto'Foto: Gustavo Glória / Folha de Pernambuco prevnext facebook twitter google plus A-A+REPORTAR ERRO VEJA TAMBÉM Cena da ópera 'Carmen', de Bizet DIVERSÃO Ópera 'Carmen', de Bizet, ganha temporada no Santa Isabel Cena do filme 'Talvez uma história de amor', de Rodrigo Bernardo DIVERSÃO Crítica: 'Talvez uma história de amor' tem mais drama do que humor Cena do filme 'Jurassic World: reino ameaçado' DIVERSÃO Crítica: 'Jurassic World: reino ameaçado' recorre a clichês COMENTÁRIOS MAIS LIDAS 01Cactos: beleza e praticidade 02Zé da Flauta traz rock progressivo para o Aurora Instrumental 03Xico Bizerra lança disco 'Chama Infinita', com canções dedicadas ao amor 04Exposição 'Caleidoscópio' está em cartaz no Museu do Trem 05Espetáculo, com Antônio Madureira, faz um viva ao Movimento Armorial SITES, BLOGS E COLUNAS VER TODOS Folha de Pernambuco CONFIRA A EDIÇÃO DA FOLHA DIGITAL ASSINE A FOLHA E RECEBA EM CASA Rádio folha
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 Legado dos povos aborígenes da Austrália será exposto no Bairro do Recife, trazendo esculturas, gravuras e pinturas em técnicas variadas, como as bark-paintings

Os povos aborígenes acreditam que sua existência data do “tempo dos sonhos”, quando o mundo como o conhecemos foi moldado. Segundo eles, todos os outros povos do mundo tiveram origem neles, e precisaram partir por terem violado a lei aborígene.

Manter o “sonhar” vivo é a motivação fundamental para a prática da arte dos artistas indígenas da Austrália, e por isso a expressão “Tempo dos Sonhos” foi escolhida para nomear a exposição que será inaugurada nesta quarta-feira (13), na Caixa Cultural, no Bairro do Recife. Gratuita e aberta ao público, ela levou quatro anos para ser produzida, de sua concepção à chegada em solo brasileiro, e já passou por São Paulo, Fortaleza, Rio de Janeiro, Brasília, Belo Horizonte e Curitiba.

mostra tem três curadores responsáveis: os australianos Djon Mundine e Adrian Newstead (que estará presente na abertura de hoje) e o brasileiro Clay D’Paula, mestre em Arte Moderna e Contemporânea pela Universidade de Sidney. Em sua temporada na Austrália, Clay aprofundou o conhecimento com aquela que descreve como sendo “a tradição artística contínua mais antiga do planeta”, abrindo espaço para que pudesse trazer a exposição ao Brasil.

“Demorou por conta de dificuldades de custo, de burocracia, da distância em si. Os museus ficavam receosos de emprestar porque há peças raras e consagradas internacionalmente, e que inclusivem foram expostas nos museus MoMA e Metropolitan, de Nova Iorque, e em Bienais como as de Veneza, São Paulo e Sidney”, explica.

São 52 obras que representam as diversas regiões australianas, incluindo esculturas, gravuras, bark-paintings (pintadas sobre a entrecasca do eucalipto, com materiais que incluem fios de cabelo e pigmentos feitos de terra) e as famosas “pinturas luminosas do deserto”.

Os motivos variam de acordo com a tradição de cada região e o estilo do artista, mas vão do figurativo a um grafismo que beira o abstrato. Várias trazem símbolos que são sinais narrativos (a chamada “arte mnemoica“, que produz verdadeiros mapas mentais).

Há raridades como as obras de Sunfly Tjampitjin, que ao longo de sua vida produziu apenas cerca de 60 peças, ou de Emily Kame Kngwarreye, que faleceu em 1996 e é uma das mais destacadas artistas australianas. Outro pintor renomado presente na exposição é Clifford Possum Tjapaltjarri, também já falecido, um verdadeiro símbolo mundial desse tipo de arte.

   Diálogo com o Brasil

“A arte aborígene em geral é uma arte de resistência, resiliência e afirmação. Existe força e voz por trás destas obras e por isso esta exposição é também um ato político”, destaca Clay D’Paula.

Um dos aspectos que reforçam este fato é a presença de uma grande mandala produzida por um indígena brasileiro (Xohã Karajá, membro da etnia Iny e morador da Ilha do Bananal, no Tocantins). “A arte indígena brasileira dialoga com a aborígene australiana, mas aqui em nosso país é desvalorizada. Na Austrália, a arte rende aos aborígenes US$ 200 milhões [cerca de R$ 740 milhões] a cada ano, e a comercialização das peças traz dignidade para a comunidade e para os artistas“, destaca o curador.

mostra que entra em cartaz na Caixa Cultural é a mais vigorosa e diversificada dessa forma de arte que já passou pelo Brasil. Para dar suporte a ela, foi lançado um catálogo bilíngue, com textos de especialistas australianos e brasileiros, que é o primeiro publicado sobre o assunto em língua portuguesa. Na vernissage desta quarta-feira (13), os curadores Clay D’Paula e Adrian Newstead (um renomado escritor de arte, galerista e colecionador) vão realizar um tour explicativo acerca das obras.

Serviço:

Exposição O Tempo dos Sonhos: Arte Aborígene Contemporânea da Austrália
Caixa Cultural Recife (avenida Alfredo Lisboa, 505, Bairro do Recife)
Abertura: Nesta quarta-feira (13 de junho), às 19h. Visitação: até 5 de agosto (terça-feira a sábado, das 10h às 20h/ domingo, das 10h às 17h)
Informações: (81) 3425-1915

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