Category Archive Luta e Paz

SOCIEDADE DIGIMON

Esse debate “criacionismo versus evolucionismo” tornou-se atemporal nos círculos de debates leigos. Um crente coerente pode enxergar coerência na teoria da evolução e um ateu sincero pode chegar à conclusão de que essa teoria não responde às grandes questões da vida, a saber, “quem sou”, “o que sou”, “por que sou” e “para que sou”.

Destarte esse debate fica apenas na questão da existência ou não de alguém ou algo que criou isso tudo aqui. Evolução mesmo, levada a sério por esses que se perdem nesses debates, só a dos pokémons e digimons.

Sobre pokémons e digimons, importante observar que os primeiros evoluem e não “desevoluem” e os outros “digivoluem” mas retrocedem ao estado inicial.

Nesse sentido nossa sociedade está mais para digimon do que pokémon.

Vemos neste momento eleitoral parcela de nossa sociedade regredindo em comportamento e cultura, retrocedendo ao protótipo primitivo humano sugerido pela arqueologia: o ser simiesco, brutal, defensor do seu território contra estranhos e violento contra as inovações.

O ovo do fascismo chocou e a raiz do mal encontrou campo fértil no meio da massa reprimida, assustada e alienada.

Um povo brutalizado por um processo colonial exploratório hoje revela o desejo revanchista de passar essa exploração adiante, para aquele considerado mais fraco.

Paulo Freire já disse que “quando a educação não é libertadora, o sonho do oprimido é ser o opressor.” Então como digimons nossa sociedade avançou e prosperou nas últimas décadas, mas sem ter base para formar uma consciência de classe adequada, hoje retrocede à barbárie.

O problema não é adquirir conhecimento, mas mantê-lo.

É papel nosso, dos que adquiriram consciência e a mantém em certa escala, buscar entender o processo em que vivemos e a saída para esse caos implantado pelo processo histórico colonial.

Pokémons fizeram mais sucesso que digimons pelo fato deles evoluírem e não retrocederem.

 

Claudio Siqueira
– Acadêmico de antropologia
– Designer gráfico

Dicas sobre como fazer isso com um bom design de logotipo? | online data room providers

Ficar marcado com o logotipo apropriado para o seu negócio é um produto que foi muito obrigatório para qualquer organização ou grupo do negócios.

1 logotipo efetivamente projetado têm a possibilidade de simplesmente lançar uma reviravolta ao seu negócio, ou seja, se ele for projetado corretamente, é especialmente uma escala para o seu negócio, o de que é 1 fato inegável. Pode ser apenas outro fator, contudo é muito importante e crucial para este sucesso do marketing, por sua vez, representar qualquer organização ou produto. Mais do que nunca, ele age enquanto uma face da organização que representa as teorias de negócios e transmite alguns dados sobre ela. Pode ser simples, mas é importante investir tempo e capital na hora de regular o design na primeira vez. Cá neste artigo você será capaz de encontrar em algumas informações que ajudarão você a criar um logotipo notável para o seu empreendimento.

Não é apenas juntar imagens e texto, contudo revelar seus pensamentos e idéias qual se concentram nos fatores do negócio; sobre a especificação que tem qual ser conjunta para tomar uma revolução.

Esses fatores devem ser levados em consideração durante o esboço de um logotipo para o seu negócio, visto que é tudo sobre estes vários elementos que são usados para formar 1 todo coeso. De formato simples, 1 design de logotipo eficaz exige a mescla por criatividade e saber de modo a criar um conceito único. Saber onde usá-lo é especialmente outro fator especialmente importante de modo a se pensar. Essas dicas vão ajudá-lo a adquirir marca usando este logotipo certo, obtendo assim seus negócios potenciais para o empreendimento.

Coisa que deve ser evitada ao projetar um logotipo: & sala de datos m&a

Quando você permanece projetando 1 logotipo de modo an o seu propósito do negócio, é porreiro evitar ser ambíguo, projetos complexos similarmente identicamente conjuntamente devem ser eliminados. 1 logotipo simples faria também eleva a formosura e a compreensão do mesmo igualmente. Em bronco um logotipo bem projetado é possibilitado a ser utilizado utilizando data room facilitismo de modo a todos os resultados, tornando bronco vai trabalhar de maneira eficaz. Simples e natural deveria ser. Se o logotipo for seriamente estonteado, as pessoas podem vir a não entender o design. Logotipos elaborados também são difíceis de imprimir e você precisa colocar seu logotipo em papéis timbrados, envelopes e outros itens.

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As 10 importantes coisas de que você precisa para conseguir um calendário de blogues juntos | Criar Blog Gratis Pelo Celular

Criar um calendário de blogue é uma importante reforma de blogue e têm a possibilidade de ser tão simples ou detalhada quanto você quiser.

Preparação, é essencial

1. Defina um tempo para planejar seu calendário e decidir por quantos meses você gostaria de estrategiar. Outros blogueiros costumam ir por 4 meses e podem passar para seis meses de planejamento, mas para iniciantes 2 a 3 meses devem ser suficientes.

2. Dependendo do software de que você usa, muitas empresas (Microsoft, por exemplo) fornecem modelos que podem ser muito úteis para este seu projeto. Modelos de calendário estão disponíveis para MS Word, MS Publisher e MS Excel são ótimos pontos de sarau sem ter que criar algo do zero. O Gmail possui seu próprio aplicativo por calendário; outros sites / serviços do e-mail têm seus próprios aplicativos do agenda, assim sendo há inúmeras opções. Gerenciamento de projetos ou ferramentas de gerenciamento de trabalhos podem ser usados para planejar e exibir um calendário do blog. Relembre-se de que, ainda que o termo calendário seja usado, 1 calendário de blog não precisa ser formatado em nenhum calendário tradicional ou layout por agenda. Sinta-se à vontade para usar qualquer formato de que desejar, desde que organizado, confortável e fácil de usar e seguir.

3. Também foi uma excelente ideia disparar uma olhada nos calendários de feriados em no total o universo para que você possua uma ideia do que as pessoas estão celebrando em um determinado dia que o visitante possa incorporar em seu tópico em 1 determinado por dia.

Doravante é hora de blogar!

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4. Agora de que você definiu sua agenda e possui seus programas básicos para usá-la, agora é hora de decidir quais tópicos sazonais você deseja tematizar em uma determinada data. Na indústria da beleza, há temas óbvios do sazonalidade, saiba como soluções para a pele seca do inverno, protetor solar para a primavera e o verão (embora o protetor solar mesmo que um tópico que dá-se durante o ano inteiro), tendências da moda para cada estação e tendências para o inverno. próximo ano, feriados, casamentos, etc. Mas o visitante pode descobrir tópicos sazonais para qualquer indústria. Companhias de tecnologia B2B têm lançamentos e atualizações criarblogpro.com.br por novos suplementos alimentares, feiras anuais e eventos do setor e ciclos orçamentários. Você também pode acompanhar a sazonalidade do setores de que usam suplementos alimentares e serviços de tecnologia B2B, tais como educação, voos e varejo, o de que é praticamente todo setor.

5. É especialmente importante sair da caixa, pesquisar fontes de notícias fora do seu pátria para conseguir um ângulo interessante sobre qualquer setor ou tópicos que você segue. Na indústria do beleza orgânica, por exemplo, existem um argumento de padrões amplamente divergente na Europa e na Austrália do que em outros países.

seis. Além de suplementos e mercados, você também pode escrever sobre e seguir personalidades famosas do mundo. Acompanhando as personalidades de qualquer setor, você pode se manter informado sobre as tendências e os tópicos de interesse de muitas pessoas.

7. Esteja preparado para qualquer arregaço no tópico em uma determinada data definida pelo calendário do seu blog. Esteja preparado para notícias de última hora. Existem flashes de notícias em todos estes setores. Esta notícia pode vir a ser demasiado interessante para escrever a cerca de e estes visitantes certamente acharão simpático ler a cerca de. Portanto, não tenha medo de mudar alguns tópicos do blogue para estes dias que você já definiu.

Tudo isso é essencial para criar blog

8. Pesquise qualquer novo software que possa ajudar a elevar o seu blog em um por dia, para que você possa ficar 1 dia a frente do calendário do seu blogue. Mesmo se você estiver seguindo este calendário do blog, é especialmente sempre uma boa ideia terminar as coisas com antecedência para que o visitante possa criar mais e blogar muito mais.

9. Tente olhar para outros calendários de blogues de outros blogueiros. É especialmente uma boa ideia manter-se ciente do que os outros blogueiros estão fazendo em sua agenda diária de blogs, para que o visitante saiba o que permanecequeda faltando em sua programação.

10. É especialmente sempre melhor aprender ainda mais coisas novas nos calendários de blogs e blogs. Portanto, não tenha medo de procurar e aprender, você ficará surpreso usando as causas que o visitante pode descobrir todos os dias que podem ajudar a sua própria agenda de blogs.

As melhores formas de tornar o usuário do seu web-site e a Web favorável

Para todo este jargão técnico associado à internet e ao web design, há uma palavra que supera todas elas em importância e é especialmente uma palavra que deve estar familiarizada com todos. Essa palavra é usabilidade. A usabilidade é especialmente importante para produzir sites para os quais seus clientes desejem retornar. Se ninguém puder utilizar seu site, ninguém se importará em ficar nele. Seu website precisa ser amigável ou você não verá bastante retorno sobre seu investimento. Para preservar a simplicidade, criar site agora não importa o género de assunto sobre este qual seu site se relacione, ele precisa ser projetado saiba como centrado no usuário. Os usuários precisam ser considerados constantemente durante todo este processo de design do site. A melhor abordagem a ser adotada é uma abordagem proativa ao processo de design e cuida do possíveis problemas antes de que seja tarde demais. Embora haja um bom número de sugestões específicas, aqui estão algumas dicas rápidas que você pode utilizar para produzir um sitio que mesmo que útil para seus visitantes. HTML – Existem quaisquer elementos específicos da variação do HTML que causam alguns problemas para alguns dos visitantes do seu site. A única forma de o seu sitio ser completamente amigável é limitá-lo ao HTML 1. 0. Não será daqui a certos anos até mesmo que a maioria dos internautas consiga acessar novas tecnologias devido a hardware antigo e outros fatores. A melhor recomendação é abster software e tecnologia do nível beta até que tenha sido estabelecido por pelo menos um ano inteiro. Velocidade de download: cada vez mais vizinhos obtêm acesso à Internet, mas isso não significa que elas sejam tão rápidas ou tão interessantes quanto as suas. Isso significa de que você não vai produzir um site maior e mais sofisticado do que realmente precisa ser. Todos os estudos ainda mais recentes mostram que a velocidade do downloads de uma página é classificada como o fator mais especialmente importante de 1 site. Um cliente em potencial perderá o interesse em sua página depois de dez segundos, independentemente do assunto e do interesse deles ou não. O layout da página – A importância do layout da página é especialmente semelhante à do conteúdo. Eles estão praticamente interligados. Você poderia ter escrito alguns dos melhores conteúdos de todos os epocas, mas se o look da página for desleixado e desarticulado, ninguém vai tentar lê-lo. Eles só encontrarão outro site de que seja mais fácil de navegar. Mantenha as suas páginas limpas e bronco. Se sua própria página não precisar do determinados elementos, remova-os. Se funcionar da mesma maneira depois de remover uma função, faça o mesmo e retire-a. Conteúdo – Todos os especialistas em web design concordarão que o conteúdo é o melhor. É o que este Google vê ao indexar seu site e, ainda mais importante, é especialmente o de que os visitantes do seu site verão. Seu site precisa ser sobre um serviço que o visitante se sente apaixonado e seus visitantes também devem. Mostre tal emoção em todas as suas páginas. Se seus leitores virem essa empolgação e sentirem o precisamente, continuarão voltando. Cores – As cores podem e irão desempenhar uma parte importante do seu sitio, muito mais do que você imagina. Eles afetam a usabilidade do seu site. Há algumas cores que ficam ótimas juntas, e existem outras cores que são quase tão dolorosas de se olhar que você precisa clicar antes de eliminar os olhos.

A Revolução Anarquista Norte-Coreana (1929 – 1932)

INTRODUÇÃO AOS 80 ANOS DA CIDADE DE SHINMIN

Em 1929, agrupados em uma federação, anarquistas foram artífices e protagonistas do processo revolucionário anti-capitalista e anti-Estado no norte da península coreana e nordeste da China, mais precisamente na região da Manchúria.
Já se passaram mais de 80 anos desta ação inspirada nos ideais e princípios libertários, com base numa práxis revolucionária latente naqueles tempos onde as pessoas se esforçavam para alcançar a liberdade. Perto do final desta tentativa de revolução social, mais precisamente  a 24 de janeiro, Kim Jwa-jin, o comandante,  foi assassinado em uma emboscada, ele, um lutador histórico da guerra colonial coreana de independência e um dos principais incentivadores e apoiadores da Comuna. Depois de seu assassinato os vencedores  -dos lados nacionalistas, que fundaram a Coreia do Sul, e os stalinistas, que fundaram a Coreia do Norte-, não só evitaram escrever e interpretar esses anos desconhecidos para o ocidente, como contornaram a história da Coréia  no que aconteceu na Região Autônoma de Shinmin (ou Chong yi-bu em coreano romanizado):  contornar a experiência de mais de 2 milhões de agricultores autogestionados seria aceitável, mas se apoderaram da figura do referido militar como apenas mais um herói da independência coreana.
Curiosamente, a data do assassinato de Kim  Jwa-jin coincidiu com o assassinato do maior expoente do anarquismo japonês, o jornalista Kotoku Shusui, juntamente de outros 11 parceiros em 1911. Kotoku viveu e morreu confrontando abertamente o império e o estado japonês com críticas veementes ao sistema de classes do Japão e incursões coloniais sobre os povos sujeitos do Oriente. As voltas e reviravoltas da história de luta de Kotoku pelos oprimidos inspiraram milhares de militantes chineses, coreanos e japoneses nessa luta incansável contra o Estado, o capitalismo e o colonialismo na região. A Coreia anarquista e sua Comuna não foram uma exceção.
Kotoku Shusui
OBSERVAÇÕES E AS PERSPECTIVAS DE UM FATO HISTÓRICO
A história escrita
Por um lado, queremos refletir o porquê esta experiência revolucionária que durou cerca de três anos – entre 1929 e 1932 – passou despercebida na historiografia da esquerda, apesar de envolver mais de 2 milhões de coreanos. Neste sentido só a historiografia anarquista coreana resgatou este importante capítulo da revolução norte-coreana. Mesmo que o ex-ditador norte-coreano Kim II-sung, em suas “memórias”, tenha mencionado que durante estes anos três facções lutavam pela independência contra os japoneses: o PC coreano, os nacionalistas com o seu governo em Xangai, e uma “terceira facção separatista”. Provavelmente a intenção de Kim II-sung foi de esconder a identidade ideológica do setor organizado. Mas também há a clara intenção de apagar qualquer influência histórica comprovável de que um setor importante da esquerda pode levar a vitória uma experiência revolucionária antes da existência da Coréia do Norte marxista. Além de o líder stalinista atribuir a derrota da Manchúria contra os japoneses, para as brigas entre as facções nacionalistas e “separatistas”, para não mencionar os assassinatos e massacres ordenados pelo Partido Comunista.
Os setores nacionalistas que mais tarde fundaram a República da Coreia, instituindo uma ditadura sangrenta, também conseguiram apagar da história a participação ativa e decisiva do anarquismo na luta pela independência contra o Império japonês.
Felizmente o trabalho exaustivo de pesquisa e reconstrução histórica nos recuperou parte deste evento histórico de grande valor experimental para a nossa ideologia. Estudos como dos coreanos Ha Ki-rak (“História do movimento anarquista coreano”), Cho Sehyun (“Na Ásia Oriental também …”) ou Hwang Dong-Youn (“Por trás da Independência: A imprensa anarquista coreana…) tem apresentado investigações detalhadas sobre o assunto. Os papers do irlandês Alain MacSimoin da WSM, Jason Adams com seus “Anarquismos não-ocidentais” ou do sul-africano Lucien Van der Walt com “Para uma história do anarquismo anti-imperialista” têm representado uma importante contribuição para o assunto.
Na experiência histórica do anarquismo coreano que desencadeado no enclave de Shinmin fermentado a partir do início do século XX, vemos um resultado semelhante a outros processos em que o anarquismo organizado conhecia e poderia apresentar socialmente o seu projeto de revolução.  Em 1917 na Rússia, Ucrânia em 1919 e, 1936 na Espanha observaram-se as derrotas do impulso libertário em termos de autodefesa, contra o nacionalismo reacionário, e na traição e entrega dos partidos marxistas.
O contexto e a abrangência
Surpreendentemente, quando começamos a investigar e cavar o que estava por trás da história desta comuna revolucionária, a gênese e o auge do anarquismo coreano, e o quanto isso tinha a ver com a independência da Coreia, temos uma grande surpresa sobre a relação direta que existe entre eles. Talvez hoje, podemos dizer que, no momento da independência da Coréia do Império Japonês convergiram três grandes correntes políticas em magnitude organizacional e acumulação de forças, mas apenas uma acabou perdendo ao longo da história. As outras duas acabaram fundando repúblicas, estabelecendo fronteiras e novas ditaduras para controlar de volta um povo que vinha vivendo o absolutismo da ocupação japonesa durante décadas.
Como já foi mencionado, o processo de revolução social, que ocorre em Shinmin acontece no meio de uma guerra anti-colonial. No mesmo [processo revolucionário] foram alcançadas grandes propriedades rurais e pequenas cidades. Chegaram a instaurar, não sem inconvenientes, Conselhos de Administração, que substituíram e extinguiram em todos os níveis o Estado. O resultado da experiência também teve a ver com a forma como a história toda começou.
Uma revolução libertária “a La” coreana
Ao analisar os componentes das façanhas da Comuna podemos perceber no primeiro momento a influência dos anarquistas que retornaram do exílio como um fator que impulsionou as lutas sociais e as disputas políticas sobre o futuro da região. Por um lado, os anarquistas que retornaram de um Japão ou Xangai em processo de industrialização, com um movimento sindical forte e mobilizado irão insistir no caráter das lutas do incipiente movimento operário coreano. Os outros exilados do resto da China iriam propor uma luta anti-colonial, como a inclusão social em áreas rurais para promover as lutas de movimentos dom  campesinato. Esta última era a posição mais preparada que estava na Coreia durante o percorrer da década de 20.
Por outro lado, alguns dos fundamentos teóricos do anarquismo coreano esboçados no início do século XX retratam a luta cultural e identitária contra o domínio do colonialismo japonês. Um exemplo disso é o “Manifesto da Revolução Coreana” (Joseon Hyeong-myeong Seoneon), escrito pelo histórico militante anarquista Shin Chae-ho que expõe plenamente o papel revolucionário de um povoado com fortes raízes culturais invadido por um exército invasor.
Também destaca o internacionalismo militante no estabelecimento de alianças com o anarquismo japonês, chinês, vietnamita e de Taiwan. Defende-se também fortemente as lutas antiimperialistas incentivando uma guerra social contra o Império japonês, que exercia um sistema de domínio em toda a região, rechaçando as atrocidades cometidas pelo exército invasor.
Por fim, o manifesto enfatiza que as forças anarquistas não devem ficar à mercê dos nacionalistas e bolcheviques em um processo revolucionário, a fim de evitar que um Estado seja colocado no lugar novamente. O desenvolvimento desses conceitos veremos mais adiante em mais detalhes.
RAÍZES E ANTECEDENTES DO PROCESSO REVOLUCIONÁRIO
Herança da luta anticolonial
Na Coréia, há uma história de revoltas populares antiestatistas, anticoloniais e sistematicamente anticapitalistas com magnitudes que alcançaram todo o país. Nos anos anteriores ao desenvolvimento da Comuna ocorreu um destes. Foi a Revolução Camponesa de Donghak de 1894 ao sul da Coréia que tinha levantado agricultores contra o governo local e contra qualquer monarquia fosse coreana, chinesa ou japonesa. Nessa revolução propunha-se uma igualdade entre todos os homens. A revolta foi esmagada pelo império japonês.
Um levante posterior de grandes proporções será o primeiro de março de 1919 como parte de uma proclamação da Independência, que reviveu os movimentos anticoloniais em todo o país. O Movimento da Independência de Samil (como foram conhecidas as primeiras manifestações de 19 de Março), que contou com a participação de inúmeras organizações anarquistas, foi brutalmente reprimido pelo exército de ocupação japonesa. O saldo foi de 7.500 mortos e 16.000 feridos durante a intentona revolucionária. Um dos ativistas do movimento foi Jeong-Wha-am que mais tarde fundaria com outros a Federação Anarquista.
Este evento foi um marco na história da luta pela independência da Coreia, uma vez que conseguiu fortalecer o sentimento de identidade do povo coreano. Aproveitando-se desta situação, um grupo de coreanos nacionalistas estabeleceu um governo provisório, em Xangai, na China.
Também nos meados dos anos 1920, fruto das lutas do ano 1919, deu-se o estopim para o início de uma luta em todas as frentes a partir de vários grupos políticos e sociais que procuravam deter a invasão do exército japonês na Manchúria. Em 1925, o império japonês lança a “Lei de Preservação da Paz”, que proibia a existência de qualquer organização que alteraria a (o) Kokutai (o regime do nacionalismo japonês). Entre os setores proibidos encontravam-se os anarquistas, que eram em sua maioria militantes de lutas operárias, estudantis, camponesas e culturais em toda a Coréia.
Influências libertárias na região
O contexto regional do Sudeste da Ásia ofereceu uma grande influência para que os anarquistas coreanos se aprofundassem nos níveis de organização e projeto revolucionários. Ademais pode-se concluir que os perseguidos políticos libertários da Coreia puderam também absorver [níveis de organização e projetos revolucionários], a partir de seus exílios na China e no Japão, das lutas sociais (sindicalistas, camponesas e estudantis) e políticas que estão sendo realizadas. Como veremos adiante, muito do que iria acontecer durante a década de 20 ‘na Coréia para níveis de agitação social e impulso político revolucionário tinha a ver com o retorno dos exilados impregnados com intenções de agitação. Baek Jeong-gi (1896-1934), um experiente militante do movimento anarquista foi um exemplo. “Gupa”, como era conhecido no jargão militante, encontrava-se em  1925 exilado na China e somava-se com a União Anarquista em Xangai. Em julho do mesmo ano começaram as ondas de greves gerais movimento operário em Xangai e Baek Jeong-gi estava militando entre os metalúrgicos filiados a seu sindicato. As massivas greves gerais na China, com a participação da militância anarquista (União Anarquista Chinesa), greves operárias no Japão, a abertura da Universidade Nacional de Trabalhadores em Xangai em 1928 impulsionada pelo movimento anarquista chinês, o Movimento de Auto-Defesa das Comunidades Rurais de Quanzhou na China em 1927-1928, e a criação da Seção de Pequim da Aliança da Juventude Negra foram um terreno fértil para o processo de desenvolvimento que faria anarquismo coreano naquela época.
Exilados no Japão por volta de 1922 Park Yeol, Jeong Tae-sung, Kim Chung-han, Hong Jin-yu, Choi Kyu-jong, Yuk Hong-kyun, Seo Dong-seong, Jang Sang-jung, Ha Sae-myeong, Hang Hyeon-sang,  Seo Sang-kyeong e outros conseguem construir a organização Futeishya (Revolta) com militantes anarquistas japoneses de renome como Noguchi Hinji, Kurihara Krzuo, Ogawa Shigeru, Kaneko Fumiko e Niyiama Shodai entre outros.
O trabalho internacionalista dos anarquistas coreanos também dá um impulso significativo para a criação de uma Federação Anarquista do Leste (Tung-fang, Wu Cheng-fu, Chu-i-che, Lien-Meng) com organizações-membro da China, Vietnã, Taiwan, Japão, Filipinas, Índia e Coréia, obviamente. A Federação Anarquista do Leste, que em 1928 disseminava o jornal “Dong Bang” (O Oriente), aprovava como base teórica própria o “Manifesto da Revolução Coreana” e teve Kim Jong-jin, uma referência do anarquismo coreano entre os seus militantes mais ativos. Um dos slogans da Federação do Leste foi “unir o proletariado de todo o mundo e, sobretudo das colônias orientais para derrotar o capitalismo internacional e imperialista”.
Anarquismo Coreano
Desde o início do século XX as idéias anarquistas eram permeáveis ​​em todas as esferas sociais da Coréia. A participação no Movimento Primeiro de Março não foi exceção. Como referido no início deste trabalho, os anarquistas coreanos entendiam muito bem o que se passava em um contexto de opressão em que o império japonês, com seus exércitos, tentavam controlar completamente a vida da sociedade coreana e que a própria burguesia local ansiava a independência para alavancar-se em classe dirigente. Entretanto influenciados pelo que estava acontecendo na região, os anarquistas coreanos começaram a criar e desenvolver organizações sociais e políticas, a fim de gerar projeto revolucionário aproveitando essa resistência ao regime imperial.
Por sua vez, a meados de 1920 e resultante da unidade organizacional dos anarquistas, foi aumentando o número de exilados, assassinatos e prisõs de militantes libertários através da perseguição do exército japonês e da sua polícia política [secreta]. Em outubro de 1925 na província de Kiho o jornal “Dong-a Ilbo” informou sobre a prisão de uma dezena de ativistas da Liga Bandeira Negra. A LBN tinha sido fundado um ano antes pelos exilados no Japão, que militavam no grupo Futeishya junto a Parque Yeol. Entre os detidos da LBN se encontravam Hong Jin-yu, Seo Sang-kyeong, Shin Young-woo, Seo Jeong-sup, Han Byeong-hee, Lee Bok-won, Seo Cheoung-sun, Lee Chang-sik, Kawk Cheol e Lee Ki-yong.
No ano seguinte, o mesmo jornal noticiou a prisão de cinco jovens trabalhadores que divulgavam um manifesto muito semelhante ao desenvolvido por Shin Chae-ho.
Também em 1925, em Taegu, muitos anarquistas que retornavam do exílio no Japão formam organizações como a Liga da Verdade e da Fraternidade. A mesma, junto com outros grupos, como a Liga dos Revolucionários, começam a se articular organizativamente com a Sociedade da Juventude Negra de Tóquio. Em Anui, Mesan, formam-se a Liga da Amizade Negra de Changwon e o grupo de Apoio Mútuo da ilha de Jeju. Este grupo chegou a organizar cooperativas de artesãos e camponeses. De imediato muitos destes grupos foram infiltrados e seus militantes presos.
Para ver a extensão organizativa do anarquismo devemos destacar que em 1929 “Dong-a Ilbo” traz à tona a existência de um grupo clandestino de anarquistas entre eles se encontrava Lee Eun-song. A mesma contava com cem militantes organizados somente em Icheon, província Kwangwon. Para o mesmo ano, passou a ser conhecido que todos os membros do Movimento da Sociedade dos Artistas de Chanju eram anarquistas.
Inspirados principalmente por Mikhail Bakunin e Peter Kropotkin, toda uma geração de ativistas libertários coreanos tiveram uma influência e papel no que se tornaria inevitável até o fim da década, e que desaguaria na experiência ao norte, na Manchúria. Yu Ja-myeong (1891-1985), o já mencionado Shin Chae-ho (1880-1936), Hwae-young Lee (1867-1932), Lee Eul-kyu, Lee Jeong-kyu, Jeong Wha-am (1896 – 1981) e Jeung-ki Paik são alguns dos articuladores do processo de federação [organização federalista] dos núcleos anarquistas regionais. Suas produções teóricas, mas, principalmente, seus ímpetos por organizar o anarquismo no país os converteram nos principais orientadores para os militantes anarquistas . Como já mencionado, Shin Chae-ho de clara orientação bakuninista, entre outros textos, desenvolveu o “Manifesto da Revolução Coreana” em 1924. Esta consistia em programa de análise e ação anarquista no contexto de uma guerra de independência.
O programa inclui a participação ativa do anarquismo na luta anticolonialista contra o Império japonês, ao mesmo tempo em que desenvolve e aprofunda a luta contra a classe exploradora e dominante na Coréia. Neste sentido, o Manifesto foca-se em diferenciar uma revolução política de uma revolução social. Segundo o manifesto, uma revolução política somente muda o poder de mãos. “A última revolução foi uma revolução em que as pessoas continuavam a ser governados como antes, apesar de o poder de” A “ter sido transferido para a força de” B “pela chamada revolução, pois as pessoas eram escravas do Estado e dominada pelo poder da classe privilegiada que manteve o controle sobre o povo”.
Então, à frente de seu tempo, o manifesto enfatizou a realização de uma “revolução do povo” ou “revolução direta” feita pela gente para a gente mesma. No Manifesto os pobres e os soldados deveriam mudar estruturalmente a sociedade com a sua “firme determinação e seu próprio poder.” Falar de poder no anarquismo sempre foi uma coisa controversa, no entanto, para este tempo, é óbvio que os libertários coreanos estão falando de um “auto-poder”[poder próprio] das classes oprimidas. Neste ponto, o Manifesto trata de estabelecer a diferença entre base e conceitos no que se faz uma revolução e derruba qualquer abordagem de “nação”, reafirmando o conceito de “povo” e que “as pessoas não são tangíveis e nação não”.
Este escrito incitava ao anarquismo coreano à rebelar-se em armas para conseguir a liberdade serviu como base para a fundação em 1924 da Federação Anarquista Coreano (ou Hangug-eo Anakiseuteu Yeon-maeng coreano romanizado). Esta Federação foi formada por núcleos militantes anarquistas e se encontrava quase totalmente na clandestinidade por causa da perseguição do exército japonês. Em todas as regiões e províncias da Coreia haviam núcleos organizados da Federação. Os mais importantes foram em Seul, Taegu, Pyongyang, Icheon, bem como na Manchúria e entre os exilados na China e no Japão.
O trabalho dos militantes era produzir propaganda e jornais [prensa]  sobre a tendência e os diferentes âmbitos de organização. Vale destacar os jornais “Recapturar” (Talhwan), “A Conquista” (Jeong Bo) e “Boletim da Justiça”.
No entanto, a Federação sempre teve uma forte tendência para a ação social acima de todas as coisas. É assim que dedica a promover sindicatos, camponeses, estudantes e organizar a resistência à ocupação japonesa em células de autodefesa.
Em novembro de 1929, a Federação mudou seu nome para Federação Anarquista-Comunista da Coréia do FACK-(Jo-sun-san Gong Mu-jung-bu-eu-ja Ju-Yeon Maeng). É nessa mesma época e sob a influência de Kim Jong-jin que a FACK decide destinar mais recursos para alimentar uma revolução na Coréia do Norte e sul da Manchúria.

“A las mujeres” (1936), canción anarquista

Ha de ser obra de la juventud
romper las cadenas
de la esclavitud.
Hacia otra vida mejor
donde los humanos
gocen del amor.

Debéis las mujeres colaborar,
en hermosa obre de la humanidad;
mujeres, mujeres, necesitamos vuestra unión
el día que estalle nuestra grande revolución.

Hermanas que amáis con fe la libertad
habéis de crear la nueva sociedad
El sol de gloria que nos tiene que cubrir
a todos en dulce vivir.

Por una idea luchamos,
la cual defendemos
con mucha razón.
Se acabarán los tiranos,
guerras no queremos
ni la explotación.

Debéis las mujeres colaborar, ecc.

Todos nacemos iguales,
la naturaleza
no hace distinción;
comunistas libertarios,
luchad con firmeza
por la revolución.

Debéis la mujeres colaborar, ecc…

ITHA – Aula 2 (parte 1/2) – Crítica Marxista e Episódios do Anarquismo. Prof. Rafael V. da Silva

Entre 20 e 24 de julho de 2015, em parceria com a Escola de Artes, Ciências e Humanidades da Universidade de São Paulo (EACH-USP), o Instituto de Teoria e História Anarquista (ITHA) realizou o curso Teoria e História do Anarquismo. Foram cinco dias — cada um com mais de 3h de aulas ministradas por professores pesquisadores vinculados ao ITHA — que tiveram por objetivo proporcionar aos participantes um conhecimento relativamente aprofundado do anarquismo e de sua história. Os temas das aulas foram os seguintes: 1.) Anarquismo redefinido: abordagens teórico-metodológicas, conceitos e princípios; 2.) Respondendo à crítica marxista: aspectos gerais e grandes episódios do anarquismo; 3.) Contextualização histórica do período de emergência do anarquismo; 4.) Processo de surgimento do anarquismo, seus grandes debates e suas correntes; 5.) Anarquismo e sindicalismo revolucionário no Brasil: aspectos historiográficos e debates fundamentais. Graças ao valoroso auxílio de companheiras e companheiros, conseguimos registrar todo o curso em vídeo e áudio. Disponibilizamos agora todo o material, permitindo que os interessados possam fazer o curso online.